Foram onze anos até o Rafael dizer em voz alta. Estávamos na varanda do hotel, taça na mão, e ele falou olhando para o mar, como quem confessa um crime: queria me ver com outro homem. Não um dia. Aquela noite.
Eu ri, achando que era o vinho. Ele não riu. Segurou minha mão e disse que só aconteceria se eu quisesse — e que, se eu dissesse não, a gente pedia o jantar e nunca mais tocava no assunto.
Eu não disse não.
O Caio chegou às dez, pontual, camisa escura, as mangas dobradas até o cotovelo. Cumprimentou meu marido com um aperto de mão firme e a mim com um beijo no rosto que durou um segundo além do necessário.
— Você tem certeza? — perguntou. Para mim, não para ele.
Olhei para o Rafael. Ele estava na poltrona do canto, o copo intocado, os olhos acesos de um jeito que eu não via desde o começo do namoro. Fez que sim com a cabeça, devagar.
— Tenho — respondi. E dei o primeiro passo.